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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Churrasco com barraco

Sábado passado foi o último churrasco organizado pela comissão de formatura. Letícia (é a mesma deste dia), também remoída pelos ataques à comissão, estava disposta ao contra-ataque. Não que eu achasse certo; conforme eu disse, qualquer sugestão válida que a turma nos der é bem-vinda, desde que feita com respeito. Mesmo que não tenha sido de forma respeitosa, não justifica um contra-ataque "à altura".
Enfim, todo o tempo ela e seus amigos lançavam indiretas relacionadas ao tal do terno do Carlos, ou sobre um fato isolado que ocorreu com um amigo dele, o Bruno*.
Bruno tem um estilo um tanto... diferente, digamos. Adepto das calças skinny, meio rocker. Pior é que ele manda ajustar as calças skinny para ficarem ainda mais justas. Eu particularmente não usaria nem acho bonito nele, por ressaltar ainda mais sua magreza de adolescente espichado.
Enfim, há uns dias, Bruno também lançou um ataque totalmente desnecessário à comissão há alguns dias, em resposta a uma leve bronca. Tudo bem que Maíra*, a presidente da nossa comissão de formatura, poderia ter escrito de uma forma um pouco mais branda, mas não foi nada tão grave a ponto de merecer o que Bruno escrevera.

Alguns dias depois, Letícia e Bruno se cruzaram por acaso no shopping daqui de São Carlos:
- Oi Bruno, tudo bem? Veio gastar no shopping, então? - totalmente casual, Letícia tentou puxar assunto, mesmo já estando remoída com os emails da turma contra a comissão.
- Pois é. Acabei de gastar R$ 700 em roupa - respondeu.
Por que motivo ele teria que mostrar que gastou uma fortuna em roupas? E como Letícia não é de levar desaforo pra casa:
- Ah, é? R$ 700 em calça apertada?

Em homenagem ao Bruno.

Voltando ao churrasco: Letícia - ou melhor, o álcool em suas veias - não parava de gritar injúrias indiretas aos dois, Carlos e Bruno. Os dois, claro, já ficaram de cara amarrada, devolvendo as ofensas ao falarem pelas costas. Porém, não a ela, mas sim à comissão: reclamando que o churrasco estava uma merda, organizado por uma comissão de merda.
Detalhe: as únicas pessoas a reclamarem do churrasco foram Carlos, Bruno e companhia, o que não totalizava sete pessoas, das mais de 100 presentes.

- Podem me expulsar da comissão se vocês quiserem, mas eu vou lá tirar satisfação com aqueles dois ridículos! Podem me chamar de barraqueira, mas eu não tenho sangue de barata! - esgoelava Letícia, aos prantos, para algumas pessoas das comissões.
- Não, Lê, calma que a gente vai conversar - disse Luís, também meio high.
Eles me chamaram também. Eu disse que não iria, e ponto; sem me justificar. Claro que não foi impensado: primeiro, eu sempre fui do tipo de não querer comprar briga. Segundo, era visível que todos estavam ébrios, fora de suas razões. Terceiro, apesar de tudo o que eu tenho passado com Carlos, eu ainda divido apartamento com ele, e eu sei que Carlos não vai saber separar as coisas, como eu pude perceber pelo que ele disse sobre o churrasco havia poucos instantes. Quarto, quem caçou a briga foi a própria Letícia, ela que suporte as consequências.

Covardia e egoísmo da minha parte? Talvez seja, mas não vou defender nenhum dos lados, pois os dois estão errados: Letícia não tinha necessidade alguma de querer brigar com eles - ela própria armou a guerra que estava por vir. Já Carlos não soube separar o que é opinião de Letícia da opinião da comissão.

E saiu o motim, escudando Letícia: Flávio, Luís e Maíra, em marcha, partiram para o contra-ataque que há tanto os afligiam. Até Priscila se interpôs, em defesa de Carlos.
- Sai daqui, senão eu meto a mão na sua cara - ameaçou Letícia.
Submissa que é, Priscila obedeceu e ficou resmungando aos cantos, como uma velha covarde e rabugenta.

Depois disso, não sei de muitas informações; só alguns fatos isolados:
1) Soube da própria Priscila que Flávio até pediu desculpas a Carlos e a ela, pelas atitudes de Letícia, o que me impressionou bastante, levando em conta o que conheço de Flávio. Só vasculhar o que eu escrevi sobre ele até agora aqui e aqui.
No final das contas, Priscila disse que "ainda bem que você, Gringo, está nessa comissão. Mas você não merecia estar passando por isso". É, Pri, pelo menos você reconhece, ao contrário do seu namorado e de grande parte da turma.

2) Luís ainda continuou a resistência, mesmo que a situação já estivesse mais ou menos resolvida. Depois, Priscila, que não o conhecia ainda, me perguntou algumas informações sobre Luís: nome, de que comissão era, etc. Fiquei um pouco temeroso, a princípio, mas não achei que faria algum mal a ele se eu a respondesse.

A cereja do bolo é que vamos nos reunir amanhã, para decidirmos toda aquela história do tuxedo. Com que cara a comissão vamos argumentar com a turma, dizendo que nós realmente levantamos a reivindicação da turma às outras comissões, depois de Letícia e Maíra terem feito tudo isso? Por mais que seja verdade, não teremos credibilidade alguma.

Podem anotar, amanhã eu vou ter uma nova crise de hipotensão, assim como tive em outro arranca-rabo com a comissão.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Kaboom!

É muito fácil uma pessoa perder seu "quê" comigo. Não que eu seja intolerante ao extremo, mas eu deixei de invejar Carlos ontem cedo.
Eu fiquei um pouco completamente shocked, quando, na festa da minha comissão de formatura, Carlos me disse que estava solteiro.
Ah, sim; eu já havia percebido que eles estavam mais pra lá do que pra cá, e que a relação deles sempre foi unilateral (mais Priscila que Carlos). Aliás, eles contaram, nessas andanças nossas, que foi ela que "chegou" nele. Além disso, eu acho que às vezes ela sutilmente atropela seu amor por si mesma em detrimento ao seu por ele.
Enfim, não sou eu que vou servir de terapeuta de casal. Eles que se entendam.

Carlos me disse que iria à praia com uns amigos nossos no final de semana em que fui para minha cidade. Como eu já havia me programado, não fui. Não vou falar que ele deve ter aproveitado da sua recém-solterice, mas digamos que foi uma ótima oportunidade... melhor não pensar.
Domingo passado, Priscila veio aqui em casa à noite. Mal ela chegou ao quarto e os fatídicos sons começaram. Foram duas.
-- Ué, Carlos, achei que você tinha me falado que estava solteiro -- eu medi bem as palavras. Isso foi ontem cedo, quando estávamos indo para a faculdade, sem ela por perto, obviously. Aquela jogada de "verde" básica.
-- Pois é... tem coisa que a gente não escolhe -- respondeu, um pouco pesaroso.
Fala sério, essa era a pior resposta que eu poderia ter ouvido.



Foi isso que eu senti na hora.

Priscila, não faça isso com você mesma! Ele só está com você porque convém a ele, ele não te ama! Tudo bem que ele não te traiu, pelo que eu saiba. Isso não é demonstração dos sentimentos dele, é no mínimo o dever da fidelidade.


Tá bom, parei. Vocês que se entendam.

domingo, 4 de outubro de 2009

"Perca" 12 minutos da sua vida com "Placas"

Eu já conhecia esse vídeo, que é simplesmente perfeito. Só não havia pensado nele depois que comecei o blog. Deixe carregando (é um pouco grande, 12 minutos) e, enquanto isso, vá lendo.

Contei na última postagem sobre o excesso de liberdade de Carlos*, e pensei que ele só daria muita risada da minha cara, se ele lesse o post. Ontem, havia uns amigos no quarto dele. Estavam tocando guitarra e rindo, e iriam jogar em rede nos computadores, grupo ao qual eu me juntei mais tarde. Naquele mesmo post, eu contei do que se passou, segundo minha visão, ou melhor, audição.
Sei que esse último parágrafo pareceu desconexo, mas o que eu quero dizer é que ele é feliz. Eu o invejo um pouco. Claro, uma inveja boa - eu o invejo porque ele com certeza sente a vida dele completa, e eu sinto um vazio aqui dentro...

Houve um momento em que eu cheguei muito próximo desse "nirvana". Foi no final de julho, quando participei de um congresso de iniciação científica de nível nacional. Apresentei meu trabalho no dia 29, um painel. Eu achei que havia apresentado bem, mas nada fora da média.
Na manhã do dia 30, foi o encerramento do congresso, em que haveria a cerimônia de premiação de trabalhos.
- O trabalho premiado na área de Operações Unitárias e Sistemas Particulados, ou melhor, oS trabalhoS, são quatro. Foi uma escolha difícil, pois os trabalhos estavam com um nível muito bom (...)
E eis que a presidente da organização do congresso anuncia, dentre outros trabalhos, o meu. Tamanha a minha incredulidade, eu precisei confirmar no livro de resumos se o código E8-P28 realmente era o meu trabalho, por mais que ela tivesse lido o título e o nome dos autores.
Fui até a frente do auditório receber as congratulações e o prêmio, que eram um livro relacionado à área de pesquisa e um certificado da premiação. Entretanto, como foram quatro premiados e um único livro, ele foi sorteado. Não ganhei o livro, mas pouco importa. Nunca senti tamanha sensação de trabalho feito. Aquela foi, sim, a representação máxima da minha capacidade como pesquisador.
Borboletas no estômago. A cadeira daquele auditório nunca me pareceu tão confortável, agora que eu não estava sentado sobre ela, e sim, de frente a tantos olhares. Eu sentia falta dela.
Ou melhor, delaS: a cadeira, e a pessoa para me falar ao ouvido:
- Não entendo exatamente o que representa essa premiação, mas eu estou muito orgulhosa de você. Maior do que essa sensação de plenitude que você está sentindo agora é o meu amor por você.

Eu não mereço tanto - realização no campo amoroso, no campo acadêmico-profissional... o que mais eu poderia querer? Amor, obrigado, esse prêmio também é seu: pelo apoio, pelo carinho, pelo amor, enfim... Eu te amo também.

Depois de sair do auditório, meus olhos foram ofuscados pelo sol forte, não dando tempo para meus óculos me protegerem antes disso. Meu esforço hercúleo e silencioso de segurar as lágrimas foram em vão.
- Tudo bem, Gringo, pode chorar agora, eu sei... - disse Marina*, uma amiga que também fora ao congresso.

Não, você não sabe o porquê dessas lágrimas salgadas. Queria que elas tivessem adoçadas - o sabor do amor.

... é isso. Agora, eu sei o que me falta nessa vida.
Carlos se sente tão bem, tão feliz, tão... completo, e a razão disso é que ele tem Priscila, os amigos, a família, as responsabilidades - por que não? -, a vida, enfim.
E eu não tenho minha "Priscila". Não, não tenho desejo algum pela "Pequena" dele, como eles chamam um ao outro. Acho que vocês me entenderam.

Pronto, acho que agora, o vídeo já deve ter carregado. Assista a ele e entenda o porquê de eu ter achado o vídeo perfeito. Será que é porque eu me identifiquei com Jason?

domingo, 3 de outubro de 2010

O mundo dá voltas

Depois de todo o barraco que eu mostrei nos três últimos posts longuíssimos, até Priscila, que nem faz parte das turmas da formatura, começou a atacar a comissão.
"Obrigada, comissão de merda, pelo show de mediocridade (...)" no MSN foi só o começo.

A questão é que ela é mais uma que não sabe separar as coisas. Eu sou da comissão, lembra?

Enfim, depois de tudo isso, aqui em São Carlos tem desabado o mundo, como bem merece o título de Capital do Clima.
Assim como a casa dela.

Isso mesmo: a casa dela, por conta dessas chuvas todas, está quase desabando. É aquela coisa: tem gente que acha que construir casa é só empilhar tijolo e alternar com cimento.
Enfim, agora ela terá que sair às pressas da casa dela.

Guess who has she phoned? Pois é, moi ! Pra saber se ela poderia passar a dividir apartamento comigo e com o Carlos.

É, minha gente, esse mundo dá voltas mesmo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vira homem!

Em mais uma das minhas crises, eu quase contei pros meus pais do que se passa. Desde a péssima convivência com o Carlos (que, pra ele, é indiferente), passando pela sensação de derrota ao ouvir incessantemente o nojo dos meus colegas quando surge o assunto "trabalho" na roda, e eu tento participar da conversa; até mesmo de tudo o que eu passei nos tempos de colégio e nunca contei. Nem pros meus irmãos, talvez nem mesmo aqui.
Escrevi a tal da carta no computador, guardei, mas não imprimi. Meu plano era esconder a carta de modo que Maria*, minha mãe, encontrasse facilmente. Na embalagem do presente de aniversário dela, que foi sexta-feira passada.
Achei golpe muito baixo, e não executei esse plano.

Daí, esses dias, estávamos almoçando aqui em casa. Havia todo um contexto sobre um novo acontecimento tipo este, mas o assunto se encerrou assim:
- Sabia, Zé*, que todas elas, a Juliana, a irmã dela e a mãe dela 'faz' terapia? - disse Maria, falando da namorada do meu irmão Gabriel.
- É? - respondeu meu pai, desinteressado.
- Pois é. Outro dia eu vi ela comentar não sei o quê do terapeuta. É uma fresca mesmo!

O assunto continuou, mas um zunido agudo e ensurdecedor alfinetava meu ouvido. Latejava.
"É uma fresca mesmo" ecoava no vazio do meu peito.

Até perdi o apetite. Dissimulei, engoli em seco, peguei a louça que usava e saí da mesa da copa. Não consegui mais ficar ali. Quer dizer, ela "é uma fresca mesmo" por fazer terapia? Então você tem um filho que já cogitou ser fresco, le savez-vous ? Pior: várias vezes ele cogita sê-lo. Ainda mais nos últimos meses.

Jamais eu teria espaço pra conversar com meus pais sobre isso. Os dois são matutos demais pra compreender. Terapia que nada, iss'é falta dum cabo de enxada!

Sentir solidão mesmo numa casa cheia que nem essa? Mas cê tem de tudo, não tem porquê.

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Segunda paulada do dia: a Rosana*, mãe do Carlos, me ligou no celular, sendo que nem em São Carlos estou. Desesperada, atrás de uma chácara para reservar para a formatura. Detalhe: alguns meses atrás, passei um papel pro Carlos com o contato de várias chácaras, valor aproximado, quais são legais, o que eu não gostei nelas, etc.

Como eu não tenho o email da Rosana, expliquei a situação pra minha mais recente colega de apartamento, Priscila, e perguntei se ela tinha. Aproveitando a viagem, perguntei também sobre uma coisa que estava me incomodando:
- Não sei, Pri, mas me pareceu que o Carlos tava meio irritado comigo, já que eu reservei chácara e nem dei moral pra ele...
- Ah, Gringo, abstrai as bravezas do Carlos... ele tá estressado por conta do TCC, porque ele deixou pra última hora, e tá desesperado porque as simulações não estão dando certo (...). Se ele ficou puto com o negócio da chácara, acho que não deve ter sido com você, e sim com ele mesmo, que não correu atrás (...). Pode até ver que ele pediu duas semanas de férias antecipadas na empresa (...)

Tá bom, Pri, vou fingir que acredito no motivo dessas férias. Assim como você.

Eu disse que entendia um pouco do estresse dele, por mais que eu saiba que a culpa é toda de sua desorganização com prazos, mas contei que não é de hoje que eu estou mal com isso.
Sim, contei. Não mostrei, é claro. Por razões óbvias.
Incrivelmente a gente mostrou uma sintonia de pensamentos - ele não sofreu muito na vida, a Rosana nunca foi de falar não pra ele, ele não é nem um pouco humilde, etc etc. Depois, ela adicionou a isso o clichê do "gostar apesar de, e não por causa de", e reservou.
E como toque final da receita...

- Ah, não guarda coisa ruim pra você não... se chateou? Manda tomar no cu na hora mesmo! Depois fica tudo certo e a vida continua (...). Por isso que prefiro amigos homens: rolou um atritozinho, manda tomar no cu; depois de uma semana tá tudo certo! Mulher não, já pega birra pro resto da vida e nunca mais se fala!

Traduzindo: vira homem, Gringo!

"Vira homem."

"É um fresco mesmo."

Eu não entendo! "Homem" (haja aspas!) não tem direito de não ser sincero a ponto de ferir, tem que falar na lata mesmo. Não tem direito a se sentir só a ponto de cogitar terapia, isso é coisa de gente fresca.
Daí os outros perguntam se eu sou gay.

E é ridículo eu querer "virar homem" (cês entenderam, tentar me comportar como esperam de um "homem") nessa altura da minha vida.

Depois eu surto (não no sentido que a gente usa vulgarmente) e ninguém sabe o porquê.
Depois eu faço bobagem e ninguém sabe o porquê.

sábado, 3 de outubro de 2009

Intimidade e seus dois resultados

Sabe de uma coisa? Eu acho que dividir apartamento com o Carlos* está sendo uma coisa boa. Em janeiro próximo vai fazer dois anos que dividimos apartamento. Eu estou aprendendo a ser um pouco mais tolerante. Mas depois do que aconteceu ontem à noite e do que está acontecendo agora, enquanto escrevo, eu tive que parar para pensar em o que é ser tolerante com as intimidades.
Eu não ligava para os barulhos que eu ouço com frequência vindos do quarto dele - respirações profundas demais, rangido da cama, estalidos de beijos ou vindo de pelo menos uma boca, se é que me entendem, tapas, alguns gemdinhos, etc. Mas eu acho que hoje de manhã, o Carlos atravessou a linha tênue entre ter intimidade e faltar com o respeito.
Estou escrevendo meu texto ao som de estalos de tapas vindos do quarto dele, de porta fechada. Ele acabou de sair do quarto dele só de cueca samba-canção com um volume um tanto suspeito.
Tudo bem, todo homem acorda com uma ereção que dependendo pode até ser dolorida, de tão forte, e eu não fico atrás sem piadas infames, por favor. Já ouvi várias razões para que isso aconteça: os corpos cavernosos se enchem de sangue porque assim o esfíncter da bexiga, que normalmente está muito cheia depois do sono, fecha - fato vulgarmente conhecido como "tesão de mijo" -; ou por causa do relaxamento dos músculos da região pélvica durante o sono, que permite um melhor fluxo de sangue para a região. Enfim, explicações anatômicas à parte, o fato é que o falo acorda túrgido. E há maneiras e maneiras para que disfarcemos e desfaçamos essa inconveniência. Uma cueca mais justa e uma bermuda folgada, e uma ida rápida ao banheiro para urinar, por exemplo. Simples assim.
Mas ontem à noite ele fez a mesma coisa - sair do quarto dele de samba-canção com o falo ereto - e eu sabia que ele estava com a namorada dele, a Priscila*. Foi até a cozinha rapidamente e voltou com uma garrafa de água pequena. Ela ficou no quarto.
Conforme eu falei, eu não ligo para os barulhos, que sucederam, é óbvio. Mas pô, ele poderia muito bem ter me poupado da cena de vê-lo "naquele" estado. Duas vezes.

Por isso que eu falo sem piadas infames com a homografia do verbo falar, por favor: intimidade gera duas coisas que começam com F - filho e falta de respeito. Daqui a pouco ele está me chamando para filmar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aguardem-me...

Na comemoração do aniversário de Vinicius*, um amigo, eu era o único desacompanhado dentre nove pessoas. Percebendo o fato cômico de eu ser o único solteiro da roda, eu o declarei, entre risos:
-- Nossa, se vocês tivessem falado que era o dia de encontro dos casais, eu nem vinha! -- ironizei.
-- Verdade! Agora que eu reparei -- disse Sidnei*, que divide apartamento com Vinicius, ambos amigos comuns entre mim e Carlos -- Bem que a gente precisava arranjar uma "senhora Gringa", hein? Falaí, Gringo, tem preferência? Loira, morena? Eu sou suspeito pra falar que prefiro morenas -- disse Sidnei, enquanto ele fazia um carinho na sua morena, Andréa*.
-- E eu as loiras -- disse Carlos, abraçando Priscila.
O melhor disso é que eu não me senti o castiçal do dia, mesmo que todos estivessem acompanhados. Como que pode caber tanta felicidade em mim, mesmo nessa situação constrangedora? É, um pouco de álcool faz milagres...
É, minha gente; pena que eu já tenho planos! Daqui a um mês a gente conversa...

sábado, 16 de outubro de 2010

Duas rapidinhas: ironias

E como esse mundo não cansa de dar voltas, eis que novamente eu preciso fazer um favor pro Carlos. Ou melhor, pro irmão dele. Ou melhor ainda, pra um amigo do irmão dele.
Amadeu* é colega de turma do irmão do Carlos, e ele veio pra cá por causa de um congresso. Para que ele não precisasse gastar uma fortuna em catering, o irmão do Carlos ofereceu para que ele ficasse aqui em casa.

Incrível como que, em menos de uma semana, eu devo ter conversado mais com Amadeu do que com Carlos. Acho que ele deve ter até achado que eu falo demais, a ponto de encher o saco.

A outra ironia é que outra pessoa também ouviu mais de mim do que Carlos: Priscila.

Pois é.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Convenci-me

Hoje à tarde fiquei um bom tempo na internet, respondendo a emails acerca da comissão de formatura. Um deles veio de Úrsula*, que já havia causado uma mega-discussão entre a turma e a comissão, que não vem ao caso agora. Ela questionava sobre uma cobrança de juros, que ao meu ver (e dela também) era indevida.
Eu lhe disse que conversaria com a comissão para resolver o assunto.
Dois membros da comissão responderam: Maíra e Mateus*. Mensagens coladas na íntegra:

Maíra: Gringo, já conversamos sobre isso lembra??
Em um dos plantões que estavamos quase todos ou todos... isso aconteceu tbm com o Lucas* [é a mesma pessoa deste dia] e ficou decidido que isso NÃO VALE PARA A FORMATURA.
Porque a formatura não tem vencimento. As pessoas tem 1 mês inteirooo para fazer um depósito e se elas resolvem deixar para o último dia, problema delas! Está lembrado que falamos isso?
Inclusive, falamos pra quem tem transferência planejada deixar pra no máximo dia 28 de cada mês para que isso não acontecesse.
Então a decisão é essa. Isso também já aconteceu com o Lucas* e acho que com mais gente e nós não vamos voltar atrás e recalcular nada.. porque isso abriria espaço para outras exceções, concordam?
Todos de acordo? Ou alguém acha que não deveria ser assim? Porque se a maioria achar que não deve ser assim, a gente pode conversar... mas já conversamos sobre isso e já tinha sido tomado essa decisão.
Eu já transmiti isso pro Lucas quando aconteceu. Gringo, vc transfere essa informação pra Úrsula então?
 
eu: Sim, eu sei que a gente conversou.
Daí eu perguntei pro meu pai, que é dono lá das lojas. Peguei um dos contratos e li com ele aqui, e ele me falou que normalmente se passa pro próximo dia útil, por isso que eu quis discutir isso com a comissão.
Calma, Maíra, eu só tava perguntando pq tb me perguntaram, pra que tanta patada?

Maíra: Gringo, não estou dando patada. Se pareceu, desculpe. Mas para mim isso já era um assunto decidido porque, repetindo, nós não temos vencimento para pagamento, as pessoas têm o mês inteiro pra pagar.
Mas como disse, se todos (vc, a Letícia, a Marina e o Mateus) acharem que isso deve ser revisto..podemos conversar novamente a respeito. Mas acho que vai trazer dor de cabeça porque isso vai acabar tendo que ser aplicado em vários casos.
É isso...
bjoss
Novamente desculpa se pareceu patada...
 
 
Já comecei a ter palpitações desde essa hora. Não sei por quê.
 
 
Mateus: ow...num vi patada nenhuma!
enfim...primeiro faltam só dois meses pra acabarem os pagamentos e independente dos motivos num vale a pena mudar agora....e eu concordo com a Maíra, q isso já foi discutido várias vezes...então eu sou a favor de deixar como tá...a única coisa q eu acho eh q a gente devia ser tolerante com transferencias q atrasam...


Disritmia cardíaca aumentando. Dor de cabeça, tontura. Inexplicavelmente, consegui arranjar forças pra responder a Úrsula sobre o que discutimos. Tanto por preguiça quanto pra dizer implicitamente que não concordava, colei a mensagem dos dois.

Ela me respondeu. Nem ao menos li a resposta dela e encaminhei para a comissão.
Depois dessa hora, tudo que eu lembro são flashes de memória. Tudo rodava e rodava. Eu devo ter comido algo que me deve ter feito mal. Mas eu não fiz nada de mais hoje no almoço, e tudo estava fresco... o que é que está acontecendo?

Lembro vagamente que conversei com Mateus, e só agora fui procurar o que havíamos conversado no histórico de mensagens. Pra começar, nem lembrava que conversamos em francês, tampouco que o assunto era Maíra. Mateus reforçara sua discordância comigo quanto às patadas dela, mas concordara com sua principal característica: a falta de delicadeza.

E, claro, Mateus, como TODAS as pessoas que conheço, falaram pra eu relaxar.
Ah, foi o estopim! Chega, todo mundo só me fala pra relaxar! Como, se toda vez o chumbo sobra pra mim? Eu é que tenho que passar mensagens pra turma, mesmo que eu não concorde, porque as pessoas mal lembram que a Marina e o Mateus são da comissão, e todos bem conhecem a truculência da Maíra e a tendência a barracos da Letícia, a ponto de evitá-las.

Cansei dessa merda de comissão.
Tá acabando, relaxa! Só mais umas cinco reuniões e boa...
Vai sonhando que são só mais cinco!
São sim, mesmo porque nem tem mais dias pra fazer.

Sem ter consciência dos meus atos, desatei a chorar. Se alguém me perguntasse o motivo, eu diria que não sei, além de possivelmente responder com violência, tamanha a também inconsciente raiva de não-sei-o-quê. Deitei na cama e apaguei por entre alucinações.

Tive vários pesadelos. Não me lembro de todos.

No último, eu estava num pátio escuro, à noite. Chovia muito, tudo estava cinza. Gritei alto de dor, e algo me sugou tão forte de volta à consciência que acordei achando que estava caindo. Braços e pernas tremendo, suando frio.

Eu estava acordado, rolando na cama, inquieto. Já não estava tendo pesadelos mais. Acordado, alerta, tremendo. Mas de olhos ainda fechados. O que é está acontecendo? E por que eu estou com tanta fome? Meu Deus, tá parecendo uma larica.
Eu fazia força pra abrir os olhos, mas ainda não conseguia. Suava, rolava na cama, tremia. E nada. Vamos, pelo menos comer alguma coisa eu preciso! Levanta!

Finalmente venci a luta. Luz embaixo da porta? Como, Priscila e Carlos não podem estar acordado a uma hora dessas!
Olhei na cabeceira da cama: onze e meia. Meu Deus, eu juraria que eram mais de três da manhã.
Relutei alguns passos além da cama e cambaleei. Segura!
Que coisa é essa? Vamos, pelo menos um copo de água!
Lembrei que tinha um pote na geladeira com o que sobrou do meu almoço. Comi do jeito que estava mesmo: frio. Gelado, na verdade.
Bebi quase a garrafa de água inteira.

Passou.

Agora que estou me sentindo um pouco melhor - ainda com um pouco de dor de cabeça -, penso que tudo indica que eu tive um delírio. Não, mas eu não...

estou...

Doente...

Não! Agora até alucinações! Preferia a fase que eu só ficava triste...

Eu agora estou convencido: amanhã cedo eu vou procurar ajuda. Que se exploda a opinião dos meus pais, que se exploda a minha poupança, que juntei com tanto esforço. Uma vida está em risco.