domingo, 20 de junho de 2010

Pra falar de tolerância (de novo)

Eu tava esses dias na faculdade, numa das salas onde tinham computadores, e uma amiga, a Débora* que vai odiar seu pseudônimo, queria porque queria mostrar um e-mail pra uma outra amiga dela, a Viviane*.
Era aquela piada do grupo de amigas papa-hóstias que se orgulham dos seus filhos, conhece?

- Meu filho é padre, e todos da paróquia pedem a bênção a ele.
- Já o meu é sacerdote, e todos o tratam como "Sua Excelência Reverendíssima".
(...)
- Ué, amiga, e o seu filho? Não é religioso?
- Então... meu filho tem 1,90 m de altura, olhos verdes, um corpo de dar inveja e, quando ele passa, todas falam "Meu Deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeus!".


Só que... digamos que o email era... ilustrado.


E digamos que Viviane é um tipo de pessoa bem "fechada"; um pouco grossa, talvez. Não que ela não seja agradável, mas toda vez que a gente conversa, ela reclama que está cansada, que tem um monte de coisa para fazer, etc.

Enfim, eu achei a cena mais irônica e engraçada do mundo a mudança de comportamento dela.
Antes: entrada toda esbaforida na sala de computadores, Viviane way. Reclamando do cansaço, das provas infindáveis, e tudo mais.
Depois [que ela viu as fotos que ilustravam da piada]: Silêncio.

- *suspiro* Aí sim, hein, Dé?
Até o ar ficou mais leve.

O que a falta de homem solteirice aguda não faz, não é verdade?

Daí eu, mais uma vez, parei pra pensar: ela se fecha de uma forma, ao ficar reclamando da vida...! E eu, não faço a mesma coisa?


... é isso. Enquanto eu não deixar ninguém entrar aqui dentro, nem um grãozinho de areia - intruso, incômodo -, eu não vou poder fazer a minha pérola.

sábado, 12 de junho de 2010

Feliz dia das crianças?

Eu queria escrever um texto melancólico, lamentando o fato de hoje ser o vigésimo primeiro dia dos namorados que eu passo solteiro.
Tentei inspirar o niilismo ao reler meus lamentos do passado e escutar músicas fossa.

Charles Aznavour liderou minha playlist. Não estranhem esse lenço e esses gestos! Tem a ver com toda uma história... Tradução bem porca da letra aqui.

Charles Aznavour liderou minha playlist [2]. E aqui, de novo, a tradução tabajaresca.
(alguém me dá de presente o DVD desse show? Eu sei que deve ser uma peça rara no Brasil, mas I'd love!)

No entanto - olha só! -, eu não consigo. Claro, eu ainda sinto falta de ter alguém com quem poder comemorar não só o doze de junho, mas também com quem brindar à vida.

(já volto, permitam-me duas divagações...)
Divagação #1
No feriado, eu fui no casamento do meu primo, e, novamente, eu era o único desacompanhado dentre os maiores de 15 anos da minha família. E, claro, aquele vazio, aquela sensação horrível de sentir os olhares acusativos (ou, em alguns casos mais incisivos, as palavras acusativas pois é) dos meus parentes...

Divagação #2
Daí eu estava lendo os tweets, e um conhecido disse que foi assediado ontem no baile do brega. Posso confessar uma coisa? Além da Fabiane, acho que nunca fui assediado; se é que eu posso considerar isso um assédio.
Por que será que eu nunca fui assediado?
Eu nunca fui de fazer muita brincadeirinha boba, e desde tempos me julgava "maduro demais pra minha idade", desde os verdes anos. E olhava com desprezo àqueles que "se comportavam feito moleques". Agora sim, eu entendo: eu fui o culpado de todo o bullying. Eu reclamei da intolerância, mas eu é que fui um intolerante.

Juntando as duas...
É isso: eu vou ser criança de novo. Na medida do possível, c'est claire: não vou ficar de traquinagens pueris, óbvio. O que eu quero dizer é que eu vou, from now on, vou tentar recuperar a tolerância que não tive nos verdes anos.
Aí sim, eu vou deixar de ser o único maior de 15 anos desacompanhado nas festas da família.
(é óbvio que eu não quero estar acompanhado só pra "fazer social". Cês me entenderam.)

Por que eu nunca parei pra prestar atenção nessa música, por mais que eu a conhecesse?
Lyrics e tradução here.

Feliz dia dos que souberam ser crianças. Aproveitem o doze de junho.

domingo, 2 de maio de 2010

O novo Gringo #3: O reciclo pós-reator químico

Sempre fiquei meio down quando eu ouvia meus colegas contando dos estágios deles nas empresas. E eu, por birra, não quis fazer estágio em indústria.
Agora sim eu entendo que, ao contrário do que eu pensava, devia me orgulhar - e muito! - da minha escolha.

Sorry, minha vez de ser técnico na minha área.
Todo processo químico se baseia em 3 etapas básicas: preparo de matéria-prima, reação química e separação de produtos. Nessa última etapa, ocorre a separação de matéria-prima que não pôde ser aproveitada numa primeira etapa e, por isso, volta ao processo. Isso garante que as conversões sejam mais altas e que não haja desperdício de material.
Sou a matéria-prima que retorna ao reator para aumentar a conversão final. Sou o aluno que retorna aos estudos, para o processo de formação de novos engenheiros tenha maior qualidade.

Nunca mais vou ficar down ao pensar que não fui pra indústria. E ainda vou dar risada interna de quem se ilude com o trabalho na indústria, se sentindo "o" engenheiro fodástico.
Se ele é um produto final, eu sou o reciclo que garantiu a alta conversão final. Coitados, vivendo a alegria da inocência.

Ha. Ha. Ha.