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domingo, 4 de julho de 2010

A trap and an oath

I tried one last time with Alice* today. That's what happened:
I made a little trap: I have a very odd photo of hers, making a grimace. However, the photographer, who wasn't me (but a common acquaintance), didn't give time to my camera to focus on her, and the result was a completely blurred photo. But she's still recognizable. At least I recognized her.
I posted this photo on an online album, with this subtitle: "I negotiate the photo deletion", and waited for her reaction. As she didn't answer, I teased her:
(via orkut scraps)
Me: "Not even you have recognized yourself in this photo?"
Her: "That's not fair! Delete that photo! LOL"
I knew she wouldn't be mad at me, as I foresaw she'd laugh at it too. Trap triggered!
Me: "Oh, then we may negotiate it... how 'bout talkin' the subject over Thursday night at that pub?"

(via MSN):
Her: "Just saw your message... thanks for inviting, but I'm going to travel..."
Me: "Oh, really? No prob then. Travelling? Where to?"
Her: [small pause] "São Paulo. I'm visiting my sister."
Me: "Ah, yes. Thought you'd say about that meeting at Natal, but it's next week, isn't it?"
Her: "Yes... I'm going!"
Me: "That's nice, eh?"

Why do I think she's lying to me? Not only because of her small pause, but also because I suppose her sister, who is also a college student, will already be on holidays, as we are. OK, her family can be going there to bring her back home, as my parents does sometimes. Still, there's a light, subtle whisper in my ears... She's trying to avoid you. Remember that this is not the first time, but the THIRD time she turns you down!

... I surrender. That's why I am swearing an oath: from now on, I'm not going to try again. Never. With anyone.
No, I'm not mad at her specifically - she has the right to reject or accept any asking-outs she receives. And I suppose it is rather easy for you, women, to choose between a meeting and a girls' night out at a night club.
Or a travel.

The problem is with me. I'm 21, and never have I seen such uselessness in this subject as I myself. Why do I keep on banging my head against the wall? Twenty-one is an age that has no coming back.
So, I surrender.

Actually, I'm solving a problem. My anxiety for sharing a life with someone is the lock-and-chain set for the true freedom I could feel.
I kept on telling myself that the only thing I miss is someone with which I could share my innermost secrets, my innermost concerns...


Yes, I have just contradicted myself.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Minha primeira loucura [2]


Ponha pra tocar e vá lendo...

Logo depois do almoço, saí para procurar o tal endereço. Confiança lá nas alturas, assim como meu pensamento, voando em encontro ao dela. Na rua de cima, eu já não conseguia sentir o vento úmido, minhas mãos sentiam falta do sangue correndo nelas. Frio, só o glacial no meu estômago.
A casa verde, de estilo antigo, era intimidadora, apesar de sua simplicidade. É um sobrado, em um bairro tipicamente residencial. Menos "central" do que meu apartamento, mas nem por isso muito afastado. Foi arriscado eu andar essa distância e talvez nem ter ninguém em casa, mas uma janela no andar de cima estava aberta.
Duas vezes o botão verde no celular. Vamos, dedos, vocês conseguem. É fácil!
Meu peito estava por arrebentar a qualquer instante. Não. Atenda. Por. Favor! Preciso me acalmar antes de qualquer coisa!
- Sua chamada está sendo encaminhad... [clic~]
Ufa.

Calm down, deep breath. De novo, vamos lá. Quatro toques e...
Oh sh*t. Um carro branco vira para entrar na garagem. O irmão da Alice. No susto, desliguei o aparelho e sorrateiramente tomei o caminho de casa.
Tem alguma coisa batendo na minha garganta, guess it's my heart.


O my God, me ferrei!
- Alô?
- Oi, quem fala?
- Ah, é-é-é o Gringo*. Com quem e-eu falo?
- Aqui é o Júlio*. Você ligou pra esse número?
- E-eu devo ter e-e-enganado de número.
- Ah, tudo bem.

Muitas emoções para um dia só. Melhor eu voltar pra casa. O irmão dela quase me flagra na porta da casa, e o pai dela me liga, investigando as ligações estranhas na tarde de domingo. Tragicômica foi a minha ansiedade e minha gagueira repentina. E meu desconhecimento de um identificador de chamadas no telefone fixo da casa de Alice.
Nem por isso eu não faria tudo isso de novo. Mas que esse foi o fail mais engraçado até hoje... ô, se foi!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

... e reviravolta

Desculpem-me, primeiramente, pelo tamanho do post, mas foi inevitável.
Sexta-feira, logo depois que postei Predestinação, um pedido-relâmpago de recadastramento para um dos processos seletivos de estágio que eu estava participando apareceu no meu email. É uma das empresas que são minhas primeiras opções. Essa empresa alegou que houve uma falha no sistema e que todos os currículos dos matriculados na minha universidade haviam sido excluídos e, por isso, todos haviam sido desclassificados por acidente. Achei uma justificativa muito mal-dada, mas agradeci aos céus pela nova (?) oportunidade.
Uns minutos depois disso, conversei via MSN com uma amiga de longa data: conheço a Ana* desde os tempos de escola. Não, ela não é a homenageada deste post. Eu confesso que ela me intimida um pouco, mas não de uma forma ruim. Mesmo sendo uma pessoa muito "na dela". Mesmo não sendo uma pessoa de temperamento explosivo.
Essa baixinha me assusta.

Enquanto estávamos no colégio, eu me lembrava de quando fomos a dois shows aqui. Um deles foi do Djavan (óunnn) e o outro foi do Leoni (óunnn²). No primeiro, éramos um grupo enorme de pessoas, eu fui mais porque eu queria conhecer mais sobre o cantor. Já o segundo... fomos a Fernanda*, o namorado (atual noivo) dela, Ana e eu (#ui). Estávamos em pé, perto de uma barra de proteção, um do lado do outro, pessoas se apertando para chegar mais perto (#ui²)...
Ana, façamos um favor para essas pessoas: a gente bem que poderia ocupar o espaço de uma pessoa só aqui. Sabe como? Assim, ó...
Preciso comentar que eu não fiz isso?
Chamem-me de "fraco": aquela diferença de altura que "encaixa", um show do Leoni, aquelas músicas "para dois"... Eu responderei que nossa amizade já está estragada com o convívio. Eu já disse que nós três (a Fer, a Ana e eu) já estivemos fechados no quarto da Ana, na casa dela? Pois é. Eu era quase o amigo gay delas.

Depois que eu fui estudar em São Carlos, nós já encontramos só nós dois, em uma pizzaria. Foi totalmente obra do acaso essa soirée virar um rendez-vous, pois havia outras pessoas que tinham combinado de ir até a pizzaria. Bom, pelo menos eu acho que foi por acaso.
Que meus olhos ficaram sorrindo no dia, eu sei: reencontrar amigos de longa data é formidable. Sim, também: suas curvas, destacadas pelas suas roupas hell on heels, eram perigosas demais para um não-habilitado como eu.
Ela me buscou aqui em casa e me deixou, na volta, também, já que eu não tinha carteira de motorista na época. Mas conforme eu disse, já estragamos por demais nossa amizade., e ficou só nisso.

Eu lhe disse que estaria indo para a minha cidade natal logo hoje.
-- Ah, vamos no Axé, então -- digitou Ana.
-- Axé? Vai ser nesse final de semana? -- eu, como sempre, o maior desinformado de festas ever.
-- É, amanhã e domingo!
-- Eu acabei de te falar que eu 'tô podre por causa da festa de ontem! E você vem e me chama? -- Mas eu queria te encontrar, então eu vou! -- eu disse, de brincadeira, claro.
-- Ah, imagina, obrigada! [smiley do MSN envergonhado]

Na nossa conversa, a letra mais digitada foi "k", pois ríamos de qualquer bobagem que eu falava. entendeu minha piada?  Enquanto isso, liguei para o meu irmão que mora aqui, e pedi que ele comprasse o ingresso para o Axé. Quando Ana me disse dessa festa, eu pude imaginar que ele já comprara o dele, pelo menos. Dez minutos depois, ele me confirma a compra do ingresso.
-- Ah, ótimo! Depois a gente combina direitinho de a gente ir lá, tá? -- e ela me passou o número do celular.
-- OK.
Eu achei que seria a maior dificuldade ever a gente encontrar, pois estaria bem cheio. Fui surpreendido por uns braços que me puxavam o pescoço.
-- O-oi, Ana!
Depois de um tempo, ambos high, ela me veio com um papo... estranho:
-- Nossa, se você souber como anda minha vida amorosa! O "caboco" me vem e pede em namoro com menos de uma semana que a gente 'tava junto! Onde já se viu?
-- Ô louco! Ih, fi'a, se você soubesse da minha também... daria pra escrever um blog livro!

Pronto, 'tá aí nossa solução: tanto fail junto não tem como ficar pior!


-- Para de me deixar na curiosidade! Conta logo, beijou quantas lá? [...] Como assim, zero a zero? -- Fernanda me repreendia, por MSN. -- [...] Larga de rodeio que eu preciso sair, tenho que ir pra faculdade daqui a pouco!
-- Ah, tá bom, prontofalei: por um acaso você quis que seu melhor amigo e sua melhor amiga... ? Confesso que pensei, mas eu não quero repeteco da história da Clara.

Aguardem novos episódios posts...

sábado, 10 de outubro de 2009

Viva la vida!

Nossa, senti saudades do blog hoje! Faz tanto tempo que eu não escrevo... Bom, talvez seja por eu estar completando minha vida. Realizei mais um objetivo notável, apesar de parecer bem bobinho.
Ontem, voltando da aula de francês, estava me sentindo bem, apesar de cansado: eu ouvia uma música legal no mp3, e estava voltando para casa sabendo que teria que programar várias coisas: viagens para os processos seletivos de estágio, estudar para as provas, essas coisas de sempre. No caminho da escola até em casa, há várias farmácias, e em uma delas resolvi subir na Juíza da Boa Forma.
Minha bochecha até doeu do tamanho do meu sorriso quando a Juíza me disse "oitenta e cinco". Não acredito, cheguei no peso que eu queria! Tudo bem que uma barriguinha ainda está meio saliente, mas minha nossa! Priceless!
Mas que felicidade é essa por saber que está pesando 85 kg? Oras, nesse peso, meu IMC (aquela continha conhecida para saber o peso ideal sabendo-se a altura) fica 25, o limite superior.
Limite superior, eu sei. Mas gente!, eu já cheguei a pesar 109 kg e usar calças 54! Hoje, uma calça 42 fica "folgadinha"...
Um brinde a mim!

Pois não.
Fomos a um bar super legal que tem perto de casa. Não para brindar à minha forma, obviamente; foi só um jeito cômico de encaixar meus pensamentos à ocasião. Ontem mesmo, um grupo de amigos combinamos de ir a um bar antes mesmo de eu me dar essa ótima notícia. Nós conversamos muito, rimos muito; nos divertimos, enfim. Eu contando ainda com essa felicidade a mais.
Pedi uma caipirinha de morango. Bebida de mulher, eu sei, mas eu não não sou muito fã de cerveja, e eu queria beber algo que me desse prazer.
Quando provei do primeiro gole, um transe, uma lembrança, um dia muito especial.

A primeira vez que eu tive uma iniciativa mais... incisiva... com a Lígia*. Trabalhamos juntos para organizar a formatura (ela é de outra comissão de formatura; nós vamos formar em três cursos diferentes). Nós fomos a uma formatura, a convite de uma empresa que queria fechar negócio conosco. Roupa très chic: estreando meu blazer, gravata azul escura cintilando em um peito também azul, porém contrastante com a gravata, vinco imaculado na calça social, sapatos estilo italiano lustrados no dia. Eu até tirei foto de mim mesmo pra guardar. Modéstia à parte, eu estava impécable.
Lígia estava em um vestido violeta lindíssimo. Contrastava com seu colo alvo de um jeito super sexy.
Bebíamos champagne com morangos -- daí a lembrança. Estava muito bom o baile de gala, mas Lígia não estava com uma expressão muito boa. Eu já estava processando o que falar.
Friozinho na barriga? Mais fácil falar de ter nitrogênio líquido no estômago!
-- O que foi, Li? Parece que você não está gostando da festa...
-- Ah, é que eu estou um pouco cansada de ontem -- de fato, ontem tínhamos ido ao mesmo lugar, para o jantar da formatura.
Lá vai, seja o que tiver que ser. Mão passando em volta da cintura, boca colada ao ouvido...
-- Queria eu fazer alguma pra animar essa carinha triste...
Ela deu uma risadinha, corando.

Não me lembro do que eu fiz depois. Que nós ficamos, eu tenho certeza que não. Eu queria mesmo saber por que eu não consigo me focalizar quando eu estou nesses momentos!  Meu Deus, como eu fui burro de novo! Igual àquela vez da Amanda!
O que me deixa mais inquieto hoje foi saber que houve outra oportunidade única com a Lígia de novo! Em um dos churrascos que organizamos para arrecadar dinheiro, ela, já um pouco high, subiu na caixa térmica, de onde nós das comissões estávamos retirando e servindo as cervejas, e ela me chamou para subir junto e cantar. Confesso que eu também estava um pouco high, e subi. Mas a caixa não estava lá tão estável. Mesmo assim, subi e cantei junto com a música e com ela, para delírio da galera alcoolizada vizinha ao bar improvisado. Eu até lembro de Carlos me olhando com cara de "que COISA é essa?".
Mas eu não poderia deixar de fazer idiotice nessa vida. Minha falta de foco não poderia deixar de me atrapalhar de novo: eu já a segurava novamente pela cintura,  mas eu reclamei da instabilidade da caixa e desci.
Que falta de foco! Que ódio de mim mesmo!

Juro, da próxima vez, eu não vou deixar escapar! Anotem aí na agenda: dia 29, a partir das 18h, faremos uma cervejada lá na faculdade, e faremos o mesmo sistema de bar do churrasco exceto o fato de que não vai ser open bar. Lígia vai estar lá também. Li, me aguarde... eu não vou deixar outra oportunidade passar.
Um brinde a mim! Um brinde à vida! Um brinde... a nós.

domingo, 13 de setembro de 2009

Chumbo trocado não dói, já dizia minha vó

Dois posts neste domingo por dois motivos: falta do que fazer hoje e excesso do que fazer amanhã.
Juntamente com a história de Clara, que contei bem resumidamente, aconteceu outra história, igualmente resumida nesse post. Na verdade, acho que as duas histórias se misturaram, mesmo que Clara nem ao menos saiba quem seja Fabiane*.
- Tem uma amiga minha que disse que quer te conhecer - disse meu irmão Gabriel, quando estávamos em casa, em um final de semana que voltei para minha cidade natal.
Fabiane também fez parte dos meus textos que joguei fora. Conforme eu lembro de ter escrito, eu tive três sensações ao mesmo tempo em reação ao meu irmão. A primeira foi uma incompreensão: como alguém pode querer conhecer alguém "quadrado" que nem eu? A segunda, uma vontade de falar para ele parar de fazer graça - não é porque eu estou encalhado solteiro que você pode jogar isso na minha cara. A terceira, claro, foi aquela acariciada no ego.
Nosso primeiro contato foi via Orkut e MSN. Fabiane sempre lançava aquelas indiretas mór, praticamente se jogando pro meu lado. Fato: isso assusta qualquer homem, por mais "moderninho" que ele seja. E logo pra mim, que não sou nem um pouco.
E eu tentanto ser bonzinho, só dava um sorriso amarelo :D em resposta via MSN. O que eu faria, se nós só conversávamos pela internet, e no momento minha cabeça estava pensando em Clara?
Sem querer, ela soube, por mim, do meu número do celular. Ela me mandou algumas SMS nesse meio-tempo, e sempre com o mesmo teor.
Eu não aguentava essa vida dupla. É até engraçado isso, um triângulo amoroso que nunca aconteceu de fato.
- Fá, chega! - finalmente falei.
Desembestei a falar que eu estava passando por um momento ruim (e realmente o estava, não só por causa de Clara, mas também por vários outros motivos), e que eu não era o melhor tipo de pessoa para me relacionar, por eu ser quadrado demais.
Não adiantou. Dei sumiço no Orkut, no MSN, e tudo mais. SMS eram comuns. Na última mensagem que recebi, eu lembro de ela ter escrito algo como "mesmo que esteja incomodando". Ou seja, ela queria um ultimato meu.
Ah, é? Então é guerra. E fiz a maior cagada da minha vida amorosa que nunca existiu: mostrei meus textos para ela, pois era uma maneira rápida de dizer tudo que eu passei.
- Era isso que eu queria saber - ela disse, talvez em prantos. Não sei; foi por MSN.
Algum tempo depois, eu soube, sem querer (Gabriel tinha que soltar a pérola perto de mim, enquanto conversava com um amigo e eu estava perto), que ela estava viajando na casa do namorado.
Pô, façamos as contas: quanto tempo demoraria para um relacionamento chegar ao ponto de "viajar para a casa do namorado"? E faz quanto tempo desde que eu mandei os textos para ela?
Ah, tá. Então ela só queria um ultimato meu porque o triângulo na verdade era um quadrilátero.
Parabéns pelo troco muito bem-dado, Fabiane. Desculpe se te fiz algum mal, se brinquei com seus sentimentos por acidente, não tive intenção. Seja feliz com o seu amado. Eis aqui um peito indiferente e feliz por você.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sou mais eu!

Eu falei sobre errar no tato no último texto. E eis que eu acabei por cair na minha última história memorável até o momento.
Em 2008, eu comecei a estudar francês, e Clara*, minha amiga e caloura, já havia estudado a língua. Eu pedi ajuda a ela para fazer um trabalho: uma espécie de seminário sobre três regiões da França. Tudo em francês, óbvio.
Nesse mesmo ano, eu presidi a organização de uma semana acadêmica, e Clara era uma das pessoas que estavam na organização. Durante o evento, eu deixara claro que não organizaria a próxima edição dessa semana, pois eu não teria tempo para isso. Eu me preocupei bastante com a minha "equipe", pois eles organizariam essa semana enquanto estivessem no terceiro ano, o mais difícil do meu curso. É muita sobrecarga. Eu a senti na pele, e não queria que eles sentissem o mesmo.
Eu achei que a pessoa mais indicada para presidir a próxima Semana seria ela, pois era a que menos estava com atividades fora do curso, e que ela poderia muito bem conduzir a equipe.
Mas eu tive um sonho.
Nesse sonho, ou melhor, pesadelo, eu estava em um hospital, não como paciente, mas como acompanhante de uma enferma (sim, ela) com uma crise de pressão baixa seguida por uma parada cardíaca. Acordei com o bipe do monitor cardíaco latejando na minha cabeça.
Eu estava MUITO preocupado com ela. 'tá bom, eu confesso que eu tinha uma "quedinha" por ela, depois de ver que tínhamos muita coisa em comum, e que la langue française fait mon coeur battre plus fort...
Resolvi (tentar) falar com Clara. Eu não consegui falar com clareza, muitos pensamentos pipocavam ao mesmo tempo. Mas eu disse que eu estava muito preocupado, por causa do estresse de se organizar uma semana daquele porte; e falei que eu achava que, apesar de tudo, ela tinha que presidir a organização.
Até que eu me expus a ela. Tentei beijá-la. Inutilmente. "Nós somos amigos". A clássica resposta. Em inglês, até virou sigla: LBJF (let's be just friends).
Eu tentei reconstruir nossa amizade durante quase um ano, fazendo-me sofrer muito. Eu fiz um esforço muito grande para não me anular, mas por dentro eu estava em cacos.
Conversei com outras pessoas, para saber o que elas achavam. Disseram que eu agi certo, mas que eu tinha que investir mais.
Depois do meu segundo "fora" e de um texto-diário com 17 páginas (sim, meu hábito de escrever não é novo) contando o que se passava entre nós, das minhas expectativas, dos nossos encontros, eu resolvi cuidar mais de mim: apaguei os textos do meu computador, rasguei a versão impressa e joguei no lixo. Praticamente um ritual de descarrego.
Chega. Eu caí na zona da amizade, et c'est tout. Não tem volta.
Eu realmente queria que tivesse dado certo. Eu acho que posso ser uma boa companhia, um bom namorado. Mas eu não vou me submeter à humilhação. Love by grace não.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma nem tão curta sobre minha bevidade

Em 2007, fui a um "congresso" em Curitiba. As aspas são de sentido fortemente irônico, pois os organizadores, estudantes nem um pouco preocupados com o tecnicismo de um congresso, realizam esse evento que se resume a uma festa que dura sete dias. De fato, existem os cursos e palestras, mas são poucos os foliões (ops, congressistas!) que assistem a eles. Mesmo sabendo disso e sabendo que eu não me sentiria à vontade, fui.
Em uma das festas, um conhecido me parou na festa. "Como que você não chegou naquela menina lá, do seu lado? Ela estava te dando o maior mole!", ele disse. "Hã?" foi a única coisa que consegui pronunciar.
E eis que essa pessoa, em um tom sério, me questiona se sou gay. Disse para eu não me preocupar, porque sempre tem gente "assim" com quem eu possa "conversar" naqueles lugares (tente imaginar o tom mais irônico ever! Pois é, foi mais irônico que isso).
Não, não achei ruim de ele perguntar isso. Não, não sou gay. Só acho que essa situação foi consequência da minha falta de... feeling pra coisa, digamos. E, por ninguém nunca ter me visto com pessoa alguma, seja XX ou XY, todos preferem pensar pelo mais burlesco. Não o culpo por isso.
Mudando de assunto, mas nem tanto:
Havia raras pessoas nos mini-cursos, eu inclusive. Em uma das sessões do mini-curso, eu não estava suportando ficar acordado, e resolvi tirar um cochilo de 10 minutos que fossem.
De repente, eu levo um tapa fortíssimo na cabeça. "No intervalo eu te explico", cochichou. Consenti em silêncio e continuei a prestar atenção no curso.
"Tu 'estava' fazendo um barulho enquanto dormia, e fiquei com medo de que o professor ouvisse.", explicou-me.
Foi o sono mais estranho que eu tive na minha vida. Eu tenho certeza que eu estava escutando o que o ministrante falava, com clareza. Mas eu estava RONCANDO! Como?
Conversei então, com a esbofeteadora gaúcha, como pude perceber pelo sotaque e pela cuia de chimarrão, sempre à mão. Amanda* até me ofereceu o chimarrão, mas eu brinquei, falando que era melhor eu tomar café, para me acordar, e agradeci. Era uma pessoa muito agradável, nossa conversa no intervalo do curso fluía bem. Não era uma beldade arrasa-quarteirão, mas também não era nenhuma espanta-tubarão.
Enfim, encontrei Amanda na fila para entrar em uma das festas, se não me engano era a penúltima. Nós conversamos mais um pouco. Depois de um tempo, ainda na fila, ela apoiou seu braço no meu ombro. Usando o outro braço, era fácil de ela me abraçar.
Entramos.
Eu, mais nervoso que noivo no altar, não soube o que fazer. Pessoas, levem em conta a minha "bevidade", a minha caipirice e uma péssima auto-estima; que, juntas, não poderiam associar o tapa na cabeça, a conversa no intervalo do curso, o braço sobre meu ombro, com qualquer potencialidade. Não ficamos. Tudo porque eu não soube interpretar os sinais.


Descobri tarde demais quem era a pessoa sobre a qual me disseram no outro dia.


A minha maior lição desse congresso? Não foi sobre a indústria do silício metalúrgico ou sobre six-sigma, tema do curso que Amanda e eu participamos. A maior lição desse congresso foi: existem mulheres que podem, sim, querer ficar com um ex-obeso, que foi jocosamente chamdo de Japança no colégio (junção da minha ascendência e do meu porte físico àquela época); cicatrizado por estrias no corpo todo, por consequência da perda muito rápida de peso; um quê de nerd, talvez. Desde que haja uma sintonia natural entre as partes.


Ainda estou na condição da bevidade. Nem por isso eu não "gostei" de alguém. Não deu certo em nenhuma das vezes, pois, nas raras vezes em que resolvi pôr as cartas na mesa, eu errei no tato, e perdi a oportunidade.
Desde meus tempos verdes, achava e ainda acho que é muito vazia essa coisa de ficar com alguém e nem ao menos lembrar o nome dela no outro dia. Não seria muito melhor se eu me lembrasse da intensidade, da pele, do fogo interior? Não quero só contar mais uma pessoa na lista das peguetes.
Eu quero alguém pra lembrar a vida toda, mesmo que não seja para durar para sempre.