quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Showing their claws

Conforme já disse em outros dias, sou membro da comissão de formatura. E uma das últimas decisões foi sobre o dresscode da formatura.
Aqui, diferentemente do que estou acostumado a ver por aí, são dois dia de festa phynna: um jantar, mais pra família; e um baile de gala, quando normalmente é feita a valsa. Nossa comissão resolveu fazer algo diferente, mas que faz todo o sentido: se o jantar é mais para familiares, menos "festa" e se eles é que seriam interessados em ver a valsa, porque fazê-la no baile? Daí, resolvemos mudar: valsa no jantar.
Isso gerou um pequeno problema: baile de gala pede um traje... de gala (duh)! Portanto, tuxedo para os homens. Mas a valsa com certeza ficaria mais bonita se todos estivessem de tuxedo também, não é?

Beaucoup plus chic, ne c'est pas?

Foi feita uma discussão longa sobre isso. Os principais argumentos foram:
1) O tuxedo identifica o formando na formatura.
2) Decidir por ele nos dois dias é tirar a liberdade de escolha dos formandos.
3) Os homens vão é gostar de ter o dresscode determinado para os dois dias - tuxedo -, já que vai facilitar a escolha do traje. Preocupação a menos.

Meu voto foi contra o tuxedo os dois dias. O único voto. Mas acabei considerando uma boa escolha, no final das contas. Votei contra principalmente por causa do argumento 2, apesar de eu, particularmente, não achar ruim caso eu não fosse da comissão.
Comunicamos à turma sobre a decisão. Já sabendo do fato antes mesmo de ter sido comunicado à turma, Carlos* já conversara comigo sobre isso. Eu lhe disse que infelizmente não poderia tomar partido da sua opinião, mesmo concordando, pois estou representando a turma toda, não só a opinião dele e a minha. Também disse que ele tentasse conversar com a turma, e que levaríamos a discussão novamente com as outras comissões, para reconsiderarmos a proposta.
Ele mandou isso pro egroup da turma (ipsis litteris, com a formatação inclusive):

Estive conversando com amigos durante esses últimos dias a respeito da "obrigatoriedade" da utilização de smoking nos dois dias da formatura.

Achamos totalmente injusto essa decisão ter sido tomada sem consulta dos formados, nenhum de nós (homens) vamos gostar de utilizar a mesma roupa nos dois dias (mudando apenas a cor da faixa, gravata e camisa, ainda sendo camisa branca nos dois dias).

Vamos aos fatos:
Sim, eu sei que smoking é um traje mais formal, elegante, MAS, duvido que uma empresa que irá alugar cerca de 120 smokings e, que realiza isso todos os anos, terá em suas mãos roupas de primeira qualidade (quem sabe de terceira).
Só o fato de não podermos ver o smoking antes da formatura já seria ruim para um dia, ainda mais dois!!! E não confio nem um pouco nas medidas "quadradas" que a "costureira" tirou no dia das fotos, anotando apenas tamanho da cintura, e comprimento da manga e e comprimento do smoking, eu sou chato: SOU, a formatura tb é minha e eu quero o melhor para mim, mandei fazer um terno (para formatura) e fiquei o dia inteiro sendo medido em "n" outras dimensões...
Não acho que as meninas tem direito de opinar nesta decisão, já que ninguém está obrigando nenhuma ir com vestido igual nos dois dias, e ainda igual a todos outras "meninas" formandas,
Sobre ficar "diferente" dos demais na festa (convidados etc...): a festa é dos formandos, cada um estará com seus amigos/familiares e afins, para essas pessoas, todos sabem quem é formando, não importa se o tio de "funalo" vai saber se eu sou formando,
E se eu sujar o smoking no dia do jantar?

Não estou querendo parecer arrogante nem nada do gênero, estou mostrando apenas o interesse que um grupo de pessoas demonstrou, espero que possamos conversar e arrumar uma solução para esse "problema".

Espero uma resposta, e proponho marcar uma reunião para discussão do assunto.

Primeiro, é claro que o traje não é de primeira qualidade. São cerca de 50 (e não 120, já que mal somos 100 formandos no total), iguais.

Você não estava esperando o terno de dois bilhões de dólares, estava?

Segundo, medidas "quadradas" que a "costureira" (aspas malditas!) são só para dois dias, conforme você próprio disse.
Terceiro, a comissão também quer o melhor para a turma; ninguém aqui é egoísta o suficiente para querer benefício próprio em detrimento de má qualidade da nossa própria formatura. E eu sei que esse terno não foi para a formatura. Não precisa mentir pra mim, ok?
Quarto, é claro que as meninas têm direito de votar sobre isso. Só porque elas não vão usar o tuxedo, elas não tem direito de voto? Aliás, feel free para opinar sobre os vestidos delas. Longo pro baile ou pode longuete?
Quinto, o que quisemos dizer com identificar os formandos é uma questão de formalidade, além de facilitar o trabalho para os fotógrafos. Tudo bem que não é, a princípio, grande coisa para os formandos, mas isso irá trazer consequências drásticas para a qualidade do álbum.
Sexto, já nos antecipamos sobre a possibilidade de sujar o traje e propusemos à empresa o aluguel de mais uma camisa e jogo de faixa e bowtie para o outro dia. Um tuxedo completo por dia encareceria muito, sendo que é só uma questão de ter cuidado. Além disso, duvido muito que após a meia-noite alguém estará com o paletó, a faixa e a bowtie.
E last, but not least, desculpe, Carlos, você foi arrogante, sim; assim como tem sido desrespeitoso comigo ultimamente.

Mas engula tudo o que tem se passado dentro de casa, Gringo. Não leve uma discussão pessoal para o nível da comissão de formatura. Roupa suja se lava em casa.

O mais irônico foi ver pessoas que nunca participaram das discussões da comissão de formatura de repente surgirem de suas tocas e apoiarem a causa. Se eles combinaram? Imagina. Outra coisa que me entristece não é a discussão em si - super válido, aliás, afinal a formatura também é deles -, mas o fato de as pessoas armarem estratégias de ataque contra a comissão, como se quiséssemos fazer a pior formatura possível para a turma.


Acho que Carlos deve ter se sentido assim quando viu que seu esquema estava funcionando.

Enfim, questionamos as outras turmas sobre o ocorrido, levantando a hipótese de voltarmos atrás na discussão. Dissemos que estivera havendo uma discussão no grupo de emails na turma, e que estavam propondo que se liberasse o terno no dia do baile, levantando todos os argumentos que estão nesse email, com exceção da petulância da mensagem.
Elas foram irredutíveis: não houve qualquer reclamação sobre o dresscode, e como sempre votamos por pessoas na reunião (e por acaso as comissões estavam completas), perdemos a votação.
Para levarmos essa decisão de volta para a nossa turma, convocamos uma reunião. Nosso approach para a reunião será decidido logo antes, mas resumidamente será mostrar que foi uma questão debatida por todos, mas que infelizmente não conseguimos levar adiante a reivindicação. Não foi por negligência, mas sim por direito de opinião por todos os membros da comissão, assim como todas as outras decisões que já foram tomadas.

A situação em si dentro da comissão está resolvida. Mas mais uma vez o Carlos e seus amigos mostram suas garras. Como é que eu pude ser tão cego?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sempre tem um... FDP

Acabei de chegar de uma soirée num botequinho perto de casa. Fomos o Carlos*, o Sidnei* (são os mesmos desse dia), dentre outros common acquaintances. E, todos um pouco high (menos eu, já que a dona Amoxicilina não me permitiu), começaram a lembrar os anos da faculdade.

- Eu inda vou inventar uma máquina do tempo e voltar pro primeiro ano de faculdade! - Carlos disse.
- Ah, eu acho que eu voltaria... sei lá, pra quarta série - contrapôs Sidnei.
- Ô louco, quarta série? Daí não!
E ficou nisso. Eu já estava começando a ficar shattered inside, porque tudo o que eles falavam tinha alguma coisa a ver com sexo ou drogas - eles até hoje não se conformam por possivelmente sair da faculdade sem ter experimentado nenhum tipo de droga. Que coisa, não?
E eu, calado, quieto. Primeiro, pelo motivo que vocês estão carecas de saber. Segundo, porque tudo o que eles conversavam era sobre coisas para as quais eu não fui nem ao menos convidado.

Até que Carlos (só pra lembrar, é o que divide apartamento comigo) me solta essa:
- Vamos fazer mestrado? Só pra poder aproveitar mais um tempo na faculdade!

Minha vontade era de levantar da mesa sutilmente, deixar o dinheiro que pagaria a minha parte e, também de forma bem sutil, dar um soco na cara dele, e espancá-lo to his death. É óbvio que eu só estou fazendo mestrado porque quero aproveitar mais um tempo na faculdade, não é mesmo?

É incrível como Carlos* não mede nem um pouco o que vai dizer, sabe? E o pior de tudo é que ele acha isso uma qualidade e tanto nele - "se eu não gosto de tal pessoa, eu deixo isso bem claro", diz ele.
Sinceridade machuca. E é assim que eu descubro o monstro com quem dividi apartamento por três anos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Rehab

Recontando parte da história do post passado: de volta a Avalon, Morgana redescobre o mundo atrás das brumas, e tenta reerguê-lo ao retomar o cargo a que sempre se destinou - a Senhora do Lago. Para os que leram As brumas de Avalon, sabe do final, mas não é isso que vem ao caso.
Retomei a viagem para a terra que se oculta nas brumas. Longa, árdua, mas recompensadora.

Claro, já passou, não está doendo mais.
Olhando para trás, hoje eu dou risada. Primeiro, porque realmente a irmã da Alice* realmente estava encerrando o semestre naquele dia do convite-arapuca (pois é sua anta!). Segundo, eu meio que percebi que não ia dar certo: uma pessoa toda cheia de querer fazer social, trabalhando como freelancer, e tudo mais... nada contra a profissão, s'il vous plaît ! Eu só não suporto fazer social.
Talvez seja por isso que me têm como chato! Só sou caseiro, tá?

Sometimes I go out, though. Começo desse mês eu fui numa baladinha que tocou samba rock live. Queria ter ido pra dançar, mas nenhuma das minhas companhias ou o espaço disponível colaboraram.
Enfim, nesse dia, eu perdi do pessoal, e fiquei andando pra procurar todo mundo. Até que eu ouvi algum comentário enquanto eu passava, de uma roda. Não entendi bem, só sei que eram duas mulheres conversando alguma coisa sur moi. Pra fazer graça, eu fiz menção de voltar.
- Ó, vai que ele tá voltando!
E senti uma mão nas costas.

Ui.
Apesar de o ego estar lá em cima, eu estava mentally stuttering. Daí nem puxei assunto. O que eu ia conversar mesmo? Tipo, "Oi", et non plus ? Tá, talvez eu pudesse convidar pra dançar, mas não estava tocando samba ainda. Que coisa!

Virei e e sorri. Tentei achar os olhos acima da blusa vermelha e por entre o cabelo loiro. Não achei; muita gente em volta.

Tudo bem.

Como assim, "tudo bem"?
É, bem isso. Estou feliz do jeito que estou, só o fato de ter atraído dois olhares um olhar me bastou naquela noite. Primeira etapa do rehab, done.

Calma, calma. Já juntei os cacos, agora é entender como deveria ser o vaso.