domingo, 2 de maio de 2010

O novo Gringo #2: Pump it!

- Ô, Gringo, acho que daqui uns dias eu vou trocar seu treino - Alex*, o treinador da academia, me falava. Cara gigante, mesmo comparando com meus 1,85 m. - Desde que você entrou aqui, você já emagreceu muito.
- Sim, eu percebi isso. Mas era essa a minha intenção. Só tenho achado estranho é que eu voltei a pesar 90 kg desde janeiro, mesmo que meu treino seja misto. - divaguei.
- É, massa muscular magra "pesa mais" que gordura. Normal.
- Entendi. - de fato, eu sabia que engordado eu não tinha. - Mas o que você sugere?
- Acho que você devia fazer um treino de hipertrofia para começar a "encher" esse corpo aí.
Não!
Conforme eu já disse, não estou nem um pouco interessado em virar um marombado. Pô, eu sou um nerd qui parle français, que faz mestrado em engenharia e que frequenta aula de dança de salão! Isso realmente foge dos padrões, non?
Ninguém nunca viu um marombado dançando tango. Falaverdade, você também riu de imaginar a cena!

- Ah, tudo bem. Vou ter que fazer testes de carga, né? - concordei, mesmo não querendo. Não vou tentar convencer uma vítima do complexo de Adônis do contrário.
Pra que eu não vire um tórax e bíceps explodindo na camiseta, c'est simple: só eu não me suplementar com hiperproteicos ou hipercalóricos e o Alex não ficar sabendo disso, oras. De onde o corpo vai tirar "matéria-prima" se eu não fornecer?
Esse foi fácil de enganar.

O novo Gringo #1: Dança de salão

- Não te imaginava fazendo isso, Gringo - Marina* se surpreendeu, dizendo com seu jeito tímido. Parecia tão surpresa que eu achei que ela estava me repreendendo.
- Na verdade, eu sempre quis fazer, mas nunca me surgia a chance. Estou adorando a experiência. Recomendo!

Comecei a frequentar aulas de dança de salão. Marina não foi a única a estranhar o fato. Meu jeito sério e fechado não "bate" com o estereótipo de quem gosta de dança de salão.
Sweet illusion é pensar que se vai a aulas de dança de salão para aprender a dançar. São tantas as coisas que se aprende com a dança de salão que o ato de dançar em si é secundário. Quer ver?

Primeiro, o óbvio. Condução dos passos: o homem é quem conduz a dança. Consequentemente, há todo um desenvolvimento de auto-confiança, de segurança.
Diz minha parceira de dança, a Paula*, que dá pra perceber a personalidade da pessoa só de sentir a condução do parceiro. Há homens que não conduzem com tanta "força", o que mostra um pouco de insegurança. O oposto também diz algo desagradável: pode denotar autoritarismo.
Isso não se restringe só aos homens. Por exemplo, eu, com míseras quatro aulas de dança, já percebi que há mulheres que gostam de ser conduzidas com os olhos e não com o toque. A Simone*, uma das alunas, é das que gostam de trocar olhares. Pudera, com olhos esmeralda iguais ao dela! A Paula, por outro lado, quase que conduz o parceiro, o que me deixa um pouco confuso: ela está tentanto prever os passos ou eu estou conduzindo pouco? Ela é precavida e tenta contornar todas as situações, ou sou eu, que estou alheio às suas vontades? Daí eu fico com "medo" de por força demais na condução e parecer "machón" demais.

Segundo, postura. É horroroso (e eu percebi isso na segunda aula) dançar olhando para os pés, com medo de dar ou levar um pisão no pé. Cadê a troca de olhares, cadê a sintonia entre o casal? E, de novo: postura exala auto-confiança. Mesmo se ela for desagradavelmente excessiva.

Postura! Exatamente! Perfeito!

Não é uma ótima maneira não-verbal para conhecer um ao outro?

Quer coisa que se encaixaria melhor ao meu tact avec les femmes que dança de salão? Como assim, Marina, "não me imaginava fazendo isso"?

Eu, perdido na aula.

sábado, 20 de março de 2010

Voltei!

Mas eu voltei pra falar de coisa boa, pra frente.
Não comecei a terapia, e nem vou começar. Não pelo motivo que eu aleguei. Foi só que eu senti saudades de escrever só pra mim.
De fato, eu não parei de escrever. Eu comecei outro blog, sobre culinária e engenharia, minhas duas paixões. Infelizmente, eu não escrevo lá tanto quanto eu gostaria, por falta de tempo. Ah, gente... é um passatempo, não um compromisso! Então, eu nem vou me cobrar a ponto de postar tão sagradamente quanto às pessoas que blogam por profissão.

Voltando: sobre a terapia, eu percebi que a única coisa que eu fazia era auto-flagelação, conforme postei aqui da última vez. Bevidade aos (agora) 21 anos? Só eu sei disso. Se não aconteceu ainda, deixa estar. Se é pra ser, vai ser. Se não, fazer o quê, né?
Claro que não vou ficar de braços cruzados esperando pela mais perfeita pessoa aparecer na minha vida. Aliás, eu tenho feito meus esforços quanto a Alice de novo, sabe? Deixa eu contar essa nova pra vocês:
Eu cruzei com ela outro dia no ônibus lotado. Eu tava de lente de contato, e o sol estava ofuscando muito, fazendo eu ficar meio franzido, com cara de bravo.
- Oi! E aí, como tão as coisas? Tá estagiando?
- Oi... então, na verdade, eu tô fazendo mestrado. Acho que te falei antes, né?
- Nossa, que legal! Parabéns!
Fiquei pensando qual foi meu mérito de ir assinar um documento pra entrar como aluno especial. De qualquer forma, agradeci pelos parabéns.

Uns dias depois, ela me perguntou via MSN se eu estava bravo com ela.
- Não, por que estaria?
- Ah, te achei com uma cara estranha aquele dia.
Expliquei que era por conta de uma conversa com meu orientador, o que era uma meia verdade. A falta dos óculos fotocromáticos também explicavam.

Conversa vai, conversa vem, e ela acabou falando que precisava de umas aulas de inglês. Ó só.
Ficamos de combinar algum dia depois de ela terminar os ensaios pra próxima peça.

Talvez eu esteja fantasiando demais as coisas, mas eu acho que o fato de ela me procurar pra conversar as coisas demonstra alguma coisa. Ou não? Só perguntando pra saber...