sábado, 3 de julho de 2010

Eu não preciso de você

Eu conheço cada centímetro da sua pele, cada palmo do seu corpo. Sei o exato ponto onde as cócegas te são mais provocantes, qual é aquela partezinha do seu couro cabeludo onde você mais gosta de receber um cafuné.
Sim, eu percebo que, quando você finge aceitar, mas está contrariada, uma ruguinha quase invisível na sua testa aparece. Eu sei que só quando suas covinhas aparecem é que seu sorriso veio da alma.
Eu sei qual é a coisa que mais te deixa ansiosa: esperar.
Entretanto, eu não precisava conhecer seu corpo, não precisava saber ler suas reações, não precisava conhecer suas ânsias.
Não preciso de nada disso.

Eu não preciso de você.

Mas que força é essa que me inquieta, que não permite ver aquela porçãozinha exata do seu pescoço sem que meus olhos traduzam meus pensamentos pecaminosos? Que força é essa que me faz ler suas linhas de expressão no seu olhar? Que força é essa que me força a fazer surpresas ou te deixar na expectativa, só pra ver seus cômicos pulinhos e tremeliques, de tanta ansiedade?

Eu não preciso de você. Mas estou aqui, do seu lado.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Uma não tão rápida sobre as expectativas

Final de semestre, e as notas finais saindo. Hoje, logo depois do jogo ridículo do Brasil na Copa, eu vi que saíram as notas de uma das disciplinas da pós-graduação.

Bom, contemos a lenga-lenga do começo:
O programa de pós daqui funciona assim: quanto às disciplinas, a gente tem que cursar 3 disciplinas obrigatórias. Os alunos efetivos devem manter rendimento superior a 60% em duas delas (conceito C) e superior a 75% na outra (conceito B). Caso contrário, são cortados do programa de pós. E isso os deixa muito tensos, reclamando da vida... por conta de míseras três disciplinas (*).
Um caso muito extraordinário é se o aluno efetivo conseguir dois conceitos A (mais que 85%) e um B, pelo menos. Nesse caso, e se o orientador autorizar, o aluno "A-A-B" pode fazer doutorado direto, sem o mestrado.
Meu caso (aluno especial, porque eu ainda não terminei a graduação) é um pouco diferente, pois eu não tenho a obrigação de ser "B-C-C". Aliás, eu nem tenho a obrigação de cursar as três disciplinas agora, e eu posso cursar as disciplinas de novo, caso não consiga os conceitos B ou C requeridos.
Por problemas de horário, eu escolhi cursar só duas. No entanto, eu ainda tinha as disciplinas da graduação (que são quatro, nem um pouco fáceis). Se eu não graduar, é óbvio que eu não posso continuar na pós-graduação, nem como aluno especial. Meu foco, portanto, é outro.

Apesar de não ser meu principal objetivo na universidade no momento, eu ia muito melhor nas disciplinas da pós que muitos dos alunos efetivos. Modéstia à parte. Não falo isso porque eu estou me gabando, e sim porque nem todos estão cursando a pós-graduação porque desejam, infelizmente. Sim, essa é a origem de maus professores, mesmo em grandes universidades.

Como é uma coisa que eu quero - e muito -, eu faço a minha parte para não precisar cursar as disciplinas de novo quando eu for um aluno efetivo. Inclusive, várias pessoas tiravam dúvidas comigo, copiavam listas (é, e quem disse que isso é coisa de graduando?), etc.

Não foi nem uma, nem duas vezes que ouvi:
"O Gringo* vai ser A em FT e Cinética."
"Certeza que o Gringo* vai conseguir doutorado direto."

A tal da expectativa.

- E aí, viu seu A em FT?
- Não, eu tirei B - respondi.
- Como assim? Você era o que mais estava manjando de FT na sala!
- Eu não estava me sentindo muito bem na segunda prova, foi isso.

O que não deixou de ser uma verdade. Final de semestre, eu tinha todas as avaliações dobradas - as da graduação e as da pós. Imagina se eu estava cansado.
However, mesmo que eu mantivesse a mesma média da primeira prova, eu seria B em FT. Aliás, o professor (que já me conhecia de outros tempos, já que ele foi meu orientador da IC e vai ser do mestrado) me deu o conceito B: se ele fosse fazer os cálculos certos, eu seria C.
E agora, eu acabei de olhar a da outra disciplina: B em Cinética.

Resumindo: sou B e B. Agora sim vocês estão felizes, colegas? Olha só, eu não posso mais pensar em doutorado direto! Não tirei o A necessário.

Eu acho engraçado isso. Todo mundo me acha um gênio. Ainda bem que eu sei que não sou. Gênio, certamente não. Esforçado, talvez. Alimentam-se expectativas em cima de uma genialidade que não existe.

Portanto, ficou aqui uma lição: não há razão nem para que eu próprio me  achar um gênio, quanto mais para os outros! Sou só humano, como todos são.

Prolongue essa lição para o campo que quiser: amoroso, profissional, etc.


(*) Mas que me faz rir pensar que eu fiz o dobro de disciplinas (contando as da graduação) que os mestrandos; que eu sou tesoureiro da comissão de formatura; que eu já estou fazendo pesquisa do mestrado (enquanto a maioria deles não está) e que eu tenho um aluno de IC co-orientado por mim... ô se faz!

domingo, 27 de junho de 2010

Cinco anos

Sentir saudade de coisa boa é fácil. Os amigos de São Carlos, da universidade, das festas - é claro! Duvido que alguém não fale que não sentirá saudades disso. Por outro lado, nossos cinco anos aqui em São Carlos não foram só flores.

Duvido que alguém confessará que sente saudade de quando teve, pela primeira vez, que se virar para manter a casa. Eu, pelo menos, não tinha máquina de lavar no meu primeiro mês em São Carlos, e não contratava diarista por nada nesse mundo. Sim, nos primeiros finais de semana, lá estava eu no tanque, ou com a vassoura em punho. Lerê, lerê...

O clima maluco dessa cidade? Piorou! Saio lá de Minas Gerais, do coração do cerrado brasileiro, e venho pra essa cidade que não decide se faz frio, se chove, se faz calor, ou se acontece tudo isso no mesmo dia. Em um intervalo de menos de uma hora.

Ah, é! Nisso eu aposto, e bem alto: ninguém vai encher o peito e falar que sente saudades das noites em claro, por conta dos planos de estudo - famosos planos de estudo! -: Juscelino Kubitschek (50 anos em 5), Jack Bauer (resolva seus problemas de estudo em 24 horas!), Serginho Groismann (até Altas Horas) ou mesmo Roberto Baggio (na decisão, só chutar pra cima)!

Todas as questões polêmicas acerca da comissão de formatura, da minha saída não tão voluntária do PET, dos tantos "nãos" dos processos seletivos de estágio, da dura, mas mais que acertada decisão de fazer mestrado...

Mas sabe de uma coisa? Só de pensar no ano que vem, em que tudo será diferente, em que nada disso será parte da minha rotina...

Não dá um apertozinho no peito?